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A matemática da oposição Julho 3, 2008

Um dia destes, enquanto assistia a uma reportagem no Telejornal sobre um debate no Parlamento Português, reparei que alguns dos argumentos utilizados pela oposição ao Governo não faziam sentido do ponto de vista matemático.

Os deputados da oposição sustentavam a sua argumentação em algumas suposições:

1. nos últimos meses o crescimento da economia portuguesa sofreu um decréscimo bastante acentuado, correndo-se o risco de atingir-se um crescimento económico reduzido igualando o nível de crescimento económico que se verificava quando o actual Governo tomou posse.

2. desde que o actual Governo iniciou funções o crescimento económico foi quase sempre nulo e quando este foi positivo, teve um valor muito pequeno .

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A situação descrita em (1) está representada no gráfico: verifica-se nos últimos tempo uma redução acentuada no crescimento económico, sendo que, se verificar-se a tendência poder-se-á atingir um nível idêntico ao do início do mandato.

Na minha opinião, a incoerência que se verifica nos argumentos da oposição reside no facto de que, se nos últimos tempos ocorreu uma redução acentuada (B a C) no crescimento económico atingindo-se um nível ainda superior ao de início do mandato ( ponto C ), teve de ocorrer em algum instante, durante o actual mandato de Sócrates, um aumento do crescimento económico de elevada magnitude, contrapondo o argumento (2) da oposição.

É impossível unir os pontos A e B através de uma linha contínua, sem que em algum momento, essa curva tenha uma inclinação elevada (indicadora da ocorrência de um aumento de magnitude considerável do crescimento económico)

Deixem o vosso comentário.

……

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24 Responses to “A matemática da oposição”

  1. Manuel da Silva Says:

    O próprio Keynes ficaria admirado com tal sagacidade !!!!!!!!!!!!

  2. RM Says:

    isto foi apenas uma ideia que me passou pela cabeça ao ver a tal reportagem e resolvi aqui postar.
    não percebo quase nada de economia!

    RM

  3. jorge Says:

    Mas quem fala verdade na politica? E não se esqueça que foi dito que se nada se fizesse o défice era de 6,8 %. em vez dos 5,4%, deve ser esta a diferença!

  4. Camilo Says:

    Todavia deve observar que a linha directa entre A e C sobe muito pouco em relação com o eixo “tempo”. E se a tendência continua, a linha A-C será muito em breve paralela ao eixo ou – ainda mais grave- coincidirá com o nível do crescimento atingido no final do mandato PSD-CDS. Em outras palavras, no que diz respeito ao crescimento económico, existe um perigo real que o governo Sócrates não serviu para nada, só para manter talvez o “status-quo”. Comparado com os outros países, um “status quo” nesta matéria corresponde a uma retrogressão. Neste contexto, a oposição tem bastante razão…

  5. RM Says:

    A minha análise não é sobre o que irá ocorrer, mas antes sobre o que já ocorreu. Nesse sentido é notório, tendo em consideração as declarações de membros da oposição, que a oposição mentiu em algum momento, sobretudo no que diz respeito ao argumento (2).
    Como refiro, em algum momento terão de ter ocorrido aumentos significativos no crescimento económico. Só assim é possível agora terem ocorrido quebras significativas e ainda não se ter atingido o nível de crescimento económico do início do mandato.

  6. LICINIO Says:

    A explicação é simples e resume-se a uma palavra :TEMPO
    -Quanto tempo demorou a atingir o nivel de crescimento referido ?
    _ À quanto tempo dura a queda ?
    Esta simples analise , ponderada pelo tempo , permite concluir da lentidão da subida e da rapidez da queda .
    Simples não???????

  7. Antero Neves Says:

    O que é que se entende por “decréscimo bastante acentuado”?

    O que é bastante? não podemos inferir sem ter um ponto de comparação.

  8. Rui Says:

    Caro RM

    O seu gráfico está desenhado de uma forma grosseira, o que torna a sua interpretação falacciosa. Se a isto não juntarmos números concretos, veremos que esta especulação não nos leva a lado nenhum.

    Da mesma forma que o sensei RM apresentou esse gráfico, posso também sugerir os seguintes valores (repare, tão válidos como o seu gráfico):

    No início a economia crescia a 2%. Com flutuações naturais foi-se mantendo em torno desse valor, com um raio de, suponhamos, 1%. O que poderá suceder é que neste momento estamos a atravessar uma dessas flutuações, sendo que a economia estará a passar de um crescimento de 3% para um crescimento de 2%. Possivelmente a oposição aproveitará este decréscimo para atacar o governo, como certamente poderá ter utilizado anteriormente.

    Se conjugarmos com isto a intra-produtividade, que torna contraproducente a bissectriz do padrão estival, veremos que a eficácia aguda do teorema da estabilidade natural invertida tenderá para o infinito, resultando por conseguinte na situação definida.

    P.S. – Não pude deixar de reparar na forma como colocou o ponto B tão afastado do ponto A. Admiro a sua fé no menino de ouro do PS, pois apenas fé poderá justificar a atribuição desses pontos sem recorrer a valores concretos.

  9. Pedro Says:

    Expliquem-me no tempo e espaço como foi contabilizado o início dos valores A e B…. Como reproduziram a realidade humana neste país?

  10. RM Says:

    Poderia colocar os valores.. mas o princípio fundamental está lá…
    Se actualmente o crescimento económico tem um valor que tem vindo a decrescer e ainda se está num valor de crescimento superior ao do início do mandato é pq se cresceu mais do que agora se desceu… isto é básico e nem são precisos valores…

    A intenção desta minha análise era apenas demonstrar que os partidos políticos da oposição utilizam argumentos impossíveis de ocorrem em simultâneo como eles dão a entender:
    -se dizem que ocorreu uma diminuição muito acentuada no crescimento e o valor ainda é superior ao inicial, o aumento no crescimento relativamente à situação inicial teve obrigatoriamente de ter uma dimensão superior ao que agora decresceu…

    Poderia utilizar a analogia…
    A oposição diz que Portugal está actualmente no 2º andar de um prédio e di que chegou ao segundo andar após descer 3 andares.
    A oposição diz ainda que quando o actual Governo iniciou funções Portugal estava no rés-de-chão.
    A oposição diz ainda que Portugal nunca passou do 1º andar desse mesmo prédio…

    Obviamente q este último argumento é falso, pois se na situação actual se está no segundo andar e se chegou a esta situação descendo 3 andares, houve um instante em que teve de estar pelo menos no 5º andar… que é superior ao 1º andar referido

  11. Rui Says:

    Caro RM

    Por favor, ponha os valores juntamente com a sua fonte, já que afirma possui-los.

    E um link para essa reportagem da rtp seria decerto útil para compreendermos melhor a questão por si levantada.

  12. RM Says:

    como já referi… o meu objectivo não foi discutir valores…. mas sim a forma como a oposição articulava a argumentação….

    o vídeo da RTP em que referiram o argumento (A) não o achei… mas julgo q se encontram notícias por aí em que é dito isso..

    o argumento (B) sempre que ligei a TV e havia um debate nos últimos três anos, era referido pela oposição, que o crescimento económico do país era nulo muito reduzido…

    só não percebo como é que é possível dizerem que esse crescimento foi muito pequeno, que a queda agora é enorme e mesmo assim ainda se fica num nível superior ao inicial…

    na minha opinião isso é impossível de ocorrer… algum desses argumentos está mal…

  13. Rui Says:

    Caro RM

    Sem vermos a reportagem dificilmente poderemos esclarecer este assunto; aliás, o ideal seria encontrar um gráfico a sério com o crescimento económico nos últimos 8 anos.

    Mas por favor repare que o termo oposição actualmente engloba 4 partidos com assento parlamentar, cada um deles dividido em facções internas. Provavelmente ouviu um partido mencionar queda acentuada, outro acusar que o crescimento foi nulo, etc. Sem a reportagem nunca o saberemos.

    Se conseguir encontrar um gráfico real e bem fundamentado que represente o que pretendeu representar com o seu gráfico ficaria muito grato.

  14. RM Says:

    como já referi, apenas o argumento A foi visto numa reportagem de TV e que julgo q esta ideia foi amplamente divulgada na imprensa. Uma declaração em que se referia q o crescimento económico tinha diminuídos bastante e que embora ainda estivesse acima do valor do início do mandato, poderia caso se mantivesse a tendência, igualar o valor inicial..

    o argumento B é o argumento geralmente utilizado pela oposição, qualquer um dos partidos, nos últimos três anos.. jornais, televisão fizeram notícia dessas declarações…

    volto a referir q a intenção não foi discutir valores… mas sim lógica de argumentação…
    até admito q todos os argumentos sejam falsos e que não correspondam à verdade…
    mas não foi isso que quis analisar… apenas pretendia demonstrar a impossibilidade de todos serem verdadeiros

    a existência de uma queda entre B e C julgo q também é consensual.. são vários os economistas e até membros do Governo que já a assumiram, em resultado da crise mundial…

  15. Pedro Says:

    Talvez a analogia do prédio seja realista se nos referirmos a um prédio com várias caves no subsolo, como ponto de partida e de posição actual! Um posição letárgica e negativa… A realidade a que me referi.

  16. António Says:

    Viva, apesar de perceber o que quer dizer com estes argumentos não deixo de reparar que o gráfico que mostra no seu post NÃO é de uma função porque não pode ter dois (ou mais) valores de crescimento diferentes para o mesmo momento… coisa que acontece na linha entre B e C na curva perto de C. Obrigado.

  17. dasse Says:

    tipos a discutir argumentação.

    E nem de lógica percebem.Estudem.

  18. kspy Says:

    Sim, se o grafico fosse desenhado com valores e com uma escala realista, até poder-se-ia chegar à conclusão que de A a B demorou 2 anos e de B a C demorou 2 dias. Nesse caso estava explicado o argumento 2 da oposição.

    Mas como realisticamente falando isso é muito pouco provável, e a intenção aqui é claramente ilustrar a quantidade de palermices que os nossos politicos debitam, fica patente também que muitas dessas palermices são inclusivé falsas!

    Não deixa de ser uma situação bem apanhada pelo autor.

  19. Rui Says:

    Caro RM

    Não compreendo como pode utilizar este artigo para atacar o governo PSD, e orgulhar-se disso indo colocar o link deste artigo no site do Expresso.

    Primeiro, porque no artigo apenas menciona “oposição”; que eu saiba a oposição é constituída por 4 partidos.

    Segundo, que reportagem utilizou para basear as suas especulações?

    Terceiro, o que entende por crescimento económico? Que indicadores?

    Não consideraria mais eficaz colocar aqui a reportagem que lhe serviu de base, e juntar um gráfico com a evolução do indicador mencionado pela oposição? Se possível desde 1995, para podermos compreender o que fez o anterior governo do PS em 6 anos, seguido de dois anos e meio de PSD e de mais quase 4 anos de PS. Seria decerto bastante esclaredor.

    Este país só lá vai com seriedade! Não é com especulações futéis e infundadas!

  20. RM Says:

    Caro Rui,

    Primeiro, ao longo deste artigo nunca me refiro em particular a algum partido da oposição em concreto, pois ao contrário do que quer dar a entender, não estou a atacar em particular nenhum partido político, nem este post pretende ser um post de carácter político.

    Argumento 1:Como já referi vi essa reportagem na RTP e ainda não achei o vídeo

    Argumento 2:Basta ligar a TV

    Questão 3: Crescimento económico é um indicador por si próprio. Pode ver a definição neste link:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Crescimento_econ%C3%B4mico

    Quanto a dados reais veja esta notícia de Junho de 2007:
    INE confirma melhor crescimento económico português desde 2002
    http://www.destak.pt/artigos.php?art=1255

    Estes dados apenas confirmam a minha ideia, de que se agora se desceu e ainda não se atingiu o valor inicial, algures ali pelo meio se teve de crescer…

    Não quero entrar em números, porque mais uma vez refiro que não é este o objectivo deste post: O objectivo deste post, como já outros perceberam, é identificar a falta de lógica e impossibilidade nas declarações de membros da oposição (PSD, CDS,BE, PCP)

    Qt ao vídeo, assim que o achar, coloco-o aqui…

  21. LICINIO Says:

    Vamos a ver se entendi :
    Imaginem um crescimento de 2% ao ano , durante 3 anos , o que dará um total , ao fim dos 3 anos de pouco mais de 6 % .
    Imaginem agora , por hipotese absurda , uma queda de 4% , no ano seginte .
    Estaríamos perante uma situação de gravíssima crise económica , mas ainda assim se poderia argumentar que , num grafico de analise dos quatro anos ,estaríamos num ponto mais alto relativamente ao ponto inicial .
    Não sería preocupante esta queda , num ano , que quase absorve o esforço de crescimento dos anteriores 3 anos?
    Nao sería dramatico constatar que no conjunto dos 4 anos nos colocava a uma maior distância dos nossos parceiros europeus ?
    Não será um pouco isto o que por aí se diz ?
    Um crescimento ténue durante um grande período ( que , acumulado , resulta num crescimento com algum significado) seguido de uma queda abrupta .
    Penso que será um pouco isto.

  22. Antero Neves Says:

    o mais engraçado é nem por em questão que, desde que o governo PS tomou posse, se atingiram valores inferiores ao que se registava no final do mandato do governo anterior.

    “O crescimento económico foi quase sempre nulo” o que nos indica que alturas houve em que foi positivo ou negativo, “quando foi positivo teve um valor pequeno” mais uma vez não vejo a incongruência… se for nulo, positivo, nulo, positivo, nulo, positivo, por muito pequeno que seja isto reflecte-se na soma.

    Já num comentário atrás disse que há que clarificar o que se entende por “bastante acentuado”… O crescimento económico quando o governo PS tomou posse foi negativo (isto é que não está a ser considerado pelo autor do blog, não sei se por afinidade política) depois foi nulo ou positivo até atingir valores superiores aos que se verificavam quando tomou posse e ultimamente registou-se a queda “bastante acentuada” que fala a oposição.

    Imagine-se a situação hipotética: no início registou-se um decréscimo acentuado de 2% depois houve crescimentos quase nulo ou nulos que somados dariam 4%, ora estamos agora a 2% acima do ponto de partida e ultimamente verifica-se a queda também acentuada de 1.5%… está ou não de acordo com as duas afirmações?

    Têm que se ter em conta todas as possibilidades e não apenas as que nos dão jeito!!!

  23. RM Says:

    Como já me referi, o que se passa entre o ponto inicial e final é irrelevante..
    Pois desconfio que consiga unir um ponto inicial e um ponto final que tem um valor superior ao valor inicial em que este valor final é atingido vindo de valores superiores, sem nunca ocorrer um crescimento..

    Relativamente ao exemplo que dá..
    Começa-se no zero, vai-se ao -2 e chega-se aos 4, depois desce-se até aos 2 , 1.5…

    Lá está, confirma-se o que eu disse, teve-se de ter algures entre o ponto inicial e final um crescimento substancial, no caso que deu, cresceu-se do -2 aos 4, logo 6 unidades…

    como já referi, a minha ideia foi apenas provar a impossibilidade matemática das declarações dos partidos da oposição, como se verifica pelo exemplo que deu…

  24. Antero Neves Says:

    Mas é que não há impossibilidade matemática nenhuma!!! 0.4+0.4+0.4+0.4+0.4+ 0.4+0.4+0.4+0.4+0.4=4 e os
    crescimentos foram mínimos!

    Analisou mal o exemplo, e porquê? porque mais uma vez quis beneficiar o ponto de vista cego de quem quer beneficiar apenas uma posição… no exemplo que dei houve apenas um crescimento de 4% entre o -2 e 2.

    Eu não estou contra ou a favor de falar mal da oposição, mas, como matemático, estou fundamentalmente a contra a lógica que quer mostrar aqui!

    Proclamar a falta de lógica matemática de uma forma gratuita e sem análise rigorosa não é intelectualmente honesto. Ainda para mais, apresentando um gráfico que, esse sim, é uma impossibilidade matemática.


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