lugar do conhecimento

ciência, tecnologia e muito mais…

Sociedade Portuguesa de Física lança blogue Outubro 14, 2008

A Sociedade Portuguesa de Física (SPF www.spf.pt) em colaboração com o  Jornal Expresso (edição online www.expresso.pt) lançou recentemente um blogue sobre ciência/divulgação científica.

Podem visitar o blogue AQUI e/ou subscrever o RSS AQUI.

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Propriedade intelectual Julho 28, 2008

Artigo de opinião de António Câmara no Jornal Expresso de 26 de Julho de 2008

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Bobby Knight, o lendário treinador de basquetebol, dizia que todos querem vencer, mas poucos são os que estão dispostos a prepararem-se para o fazer. No mundo tecnológico, essa preparação consiste em desenvolver propriedade intelectual: patentes, marcas, direitos de autor, e outras formas de protecção.

Pode-se não gostar desta realidade, mas ela é dominante no principal mercado mundial: as empresas americanas detém impressionantes portfólios de propriedade intelectual.

A propriedade intelectual não é utilizada apenas para protecção contra potenciais usurpadores. Existem diversas alternativas para a sua exploração documentadas em cursos como o referido em http://www.exed.hbs.edu/programs/ip/.

Empresas como a IBM têm demonstrado que a rentabilização óptima da propriedade intelectual passa pela sua utilização em serviços ou na criação de produtos. O desenvolvimento, “marketing” e venda dos serviços ou produtos podem ser conduzidos internamente ou em regime de contratação externa, mas a gestão do processo deverá ser sempre da empresa detentora da propriedade intelectual.

Um vice-presidente de uma das maiores empresas tecnológicas americanas dizia, numa recente visita a Portugal, que as empresas devem ser geridas considerando três fases: a execução (no presente); a investigação (preparando o médio prazo); e a visão (para o longo prazo). A paisagem das patentes registadas (disponível via http://www.google.com/patents) deve condicionar a definição da visão e programas de investigação de uma empresa, de modo a beneficiar a sua execução futura.

A investigação académica (em Portugal e em muitos outros países) está frequentemente dissociada dessa paisagem, construída globalmente por actores não necessariamente universitários. Esta dissociação limita as contribuições da Universidade para o crescimento de empresas existentes e na criação de novas empresas competitivas.

António Câmara
Presidente da Y-Dreams

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Valorizar a inovação nacional Julho 8, 2008

Artigo de opinião de Paulo Nordeste no Jornal Expresso de 5 de Julho de 2008.

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No IV encontro da Cotec Europa, que teve lugar no passado dia 27 em Nápoles, foi salientada a necessidade de melhorar as estratégias de inovação passando a valorizar, no processo de inovação, os serviços, os modelos de negócio, o “design”, as marcas e as melhorias organizacionais e operacionais, de forma equivalente à ciência e tecnologia.

Na abordagem tradicional, seguida normalmente pelos países mais desenvolvidos tecnologicamente, o processo de inovação é dominado pela Investigação e Desenvolvimento (I&D), traduzida em conhecimento explícito que depois é transformado em produtos e serviços.

A liderança é assumida pelos departamentos de I&D das grandes empresas e pelas instituições ligadas ao sistema científico. A inovação assume um carácter exploratório. As despesas de I&D em percentagem do PIB e o número de patentes, são indicadores vulgarmente utilizados para medir o sucesso do sistema.

Por outro lado, em países como Portugal, Espanha e Itália, onde o tecido empresarial é dominado por PME, o processo de inovação assenta no chamado modelo DUI (Doing, Using, Interacting), em que o desenvolvimento dos produtos e serviços recorre a conhecimento tácito e localizado.

A inovação é essencialmente do tipo operacional. A sua quantificação é mais difícil e menos estruturada.

Os dois modelos não são incompatíveis mas complementares, conforme explicou o Prof. Vítor Corado Simões, do ISEG, na apresentação de uma excelente comunicação sobre indicadores de inovação.

Contudo, estas diferentes abordagens têm um reflexo significativo na forma como os sistemas de inovação dos países europeus são comparados e avaliados, afectando a sua posição no painel de inovação.

A Cotec Europa está a trabalhar com a Comissão Europeia para tentar melhorar e corrigir esta situação.

A inovação operacional é tanto ou mais importante do que a inovação exploratória. É preciso que seja devidamente reconhecida e valorizada nas empresas e nos países.

Paulo Nordeste

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Google refere que site do PSD pode danificar o computador Julho 5, 2008

Filed under: humor,política — RM @ 8:03 pm
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Lido no Jornal Expresso… Não deixa de ser engraçado….

“Este web site pode danificar o seu computador. Prosseguir para http:www.psd.pt/ por sua conta”. O aviso mais parece uma manobra de anti-propaganda política e não fosse estar patente logo à cabeça do motor de buscas Google, após uma simples pesquisa por “PSD”, ninguém o levaria a sério. A verdade, porém, é que o alerta é real. Na página de diagnóstico, acessível ao público, o Google lista o site como “suspeito” e avisa que “pode danificar o computador”. O motor de busca explica que “entre 44 páginas testadas no site nos últimos três meses, 5 efectuaram uma vez o download e instalação de software malicioso”.

A “visita” mais recente do Google ao site do PSD foi efectuada a 3 de Julho de 2008 e a última vez que foi encontrado conteúdo suspeito terá sido um dia antes. O Google refere ainda que a situação não levou, aparentemente, à contaminação de outros sites.

“O site foi atacado, ficou com vírus e nós suspendemo-lo”, afirma fonte responsável pela área informática do PSD. “Estamos a tratar com o Google e com o nosso operador, pensamos conseguir repor a situação durante o dia de hoje (ontem)”, refere, preocupado com o prejuízo que a situação acarreta. No entanto, hoje o site do partido já está disponível.

“Prejudica-nos ao nível da imagem, mas sobretudo porque há muita informação que as estruturas precisam de consultar, timings de eleições e questões estatutárias, por exemplo”. Em situação normal, o site tem “poucos milhares de visitas” por dia, mas já chegou a atingir mais de 20 mil – refere a mesma fonte – em dias de Congresso Nacional.

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Portugal e os Mundo Virtuais Junho 30, 2008

Artigo de opinião de António Câmara no Jornal Expresso, 28 de Julho de 2008.

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O Portugal Digital, exibido na Expo-98, permitia aos visitantes voar sobre o território e consultar bases de dados geo-referenciadas. Foi precursor dos actuais Google Earth e Microsoft Virtual Earth.

O sistema representava uma visão de futuro para a exploração de um país. As tecnologias subjacentes resultaram da investigação de equipas da Universidade Nova de Lisboa (UNL), Instituto Superior Técnico (IST) e do Centro Nacional de Informação Geográfica (CNIG), que liderava o projecto. A Imersiva, uma “spin-off” da UNL, foi, entretanto, criada para explorar a componente de realidade virtual.

Em 1998, Portugal detinha um capital de conhecimento praticamente único na Europa e com um número limitado de concorrentes na América do Norte. As equipas portuguesas que trabalhavam na criação de mundos virtuais tinham ainda um apoio significativo da diáspora: o professor José Encarnação do Fraunhofer Institute na Alemanha, líder mundial em computação gráfica; e Ken Pimentel e Kevin Teixeira, pioneiros em empresas como a Sense8 e Intel nos EUA.

Mas o Portugal Digital não foi continuado e as tentativas dos promotores do projecto, para o expandir para a escala europeia, não foram bem sucedidas. A Imersiva, adquirida pela Portugal Telecom, nunca teve a oportunidade de transformar a tecnologia num produto.

Os custos de equipamento e a largura de banda eram inapropriados. Mas não houve uma visão, em Portugal e na União Europeia, semelhante à proclamada por Al Gore no seu documento ‘The Digital Earth’ de 1998 (http://www.isde5.org/al_gore_speech.htm ).

Empresas como a Keyhole (adquirida pela Google) e GeoTango (comprada pela Microsoft) implementaram a visão de Gore. O Google Earth e o Microsoft Virtual Earth já têm mais de cento e cinquenta milhões de utilizadores.

Passaram-se dez anos. A União Europeia continua sem perceber que a invenção vem de pequenos grupos e não de redes com dezenas de parceiros. Portugal está, no entanto, mais aberto à inovação. Mas, a diferença reside no You Tube. O Portugal Digital teria sido um estrondoso sucesso global se esse canal de difusão existisse em 98.

António Câmara

 

Há muitos incumbentes inovadores Junho 16, 2008

Artigo de opinião de João Picoito no Jornal Expresso de 14 de Junho de 2008

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No último encontro da COTEC no Porto, foi lançada por um dos participantes uma ideia que gerou bastante controvérsia. Penso que a intenção era mesmo essa. A ideia que, devo dizer, foi defendida com muita inteligência, convicção e argumentos muito bem estruturados era que – se a memória não me atraiçoa – “os incumbentes não inovam”.

No entanto e depois de ter reflectido sobre ela, concluí com alguma dificuldade – porque isto de discutirmos connosco nem sempre é fácil – que não fazia sentido.

Vejamos. Porque é que um incumbente – uma empresa com uma quota de mercado significativa ou até dominante – é incapaz de inovar?

O mercado global está cheio de provas do contrário disso. A Apple com o Ipod, a IBM com o IT Outsourcing, a Nestlé com o Nespresso, a Vodafone com o Life, a Toyota com o híbrido, a Gillete com as lâminas múltiplas, a Coca Cola com o Zero, a Nike com o Air, a Sogrape com o Mateus Rose, a Lufthansa com o Hon circle, e como é óbvio podíamos estar o dia inteiro nisto.

O que é que estas empresas, que não são propriamente «start up», têm em comum? É que nas suas organizações, existem ou coexistem sistemáticas de inovação que permitem crescer com competitividade e criação de valor no mercado global. São empresas que encaram a inovação nas suas várias vertentes, no marketing, nos produtos, nos processos e até na forma como se organizam.

No mercado português, existem também inúmeros casos que o provam. Além dos mais conhecidos exemplos da Galp com a Pluma, da TMN com o Mimo, do BES com o 360 Graus, da Brisa com a Via Verde, da Optimus com os Pioneiros, do BCP com a Nova Rede, existem muitos outros desconhecidos mas não menos importantes e significativos.

Portanto, a inovação não tem que ver nem com a dimensão nem com a antiguidade das empresas, antes com a vontade estratégica de crescer ou liderar com competitividade no mercado, que como sabemos é aberto e global.

João Picoito

 

A nossa selecção para ganhar o campeonato do futuro Junho 9, 2008

Artigo de opinião de Nicolau Santos, Jornal Expresso.

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Há um campeonato que temos de ganhar, mais importante do que aquele que hoje começa na Áustria e Suíça. É o campeonato do futuro do país. Para isso, precisamos de empresas modernas, dinâmicas, inovadoras e globais. Seleccionámos 24, excluindo a banca. Ficam de fora muitas outras. Mas estas dão todas as garantias.

(ver imagem no tamanho original AQUI )

O modelo de crescimento económico de um país desenvolvido é igual ao de um país emergente? Não, de todo, como explicou António Borges, no 5º Encontro Nacional de Inovação COTEC. No segundo caso, trata-se de um modelo de crescimento económico simples. No caso de um país desenvolvido, não é o investimento em geral a chave do crescimento, mas sim saltos qualitativos, com melhores tecnologias e soluções mais inovadoras.

Portugal teve o tipo de crescimento dos países emergentes entre 1985 e 2002, mas é notório que, a cada década, ele é cada vez menos vigoroso. E esta tendência não será ultrapassada, a não ser por saltos tecnológicos das nossas empresas, nos processos, nos produtos, mas também se não estiver enraizada na sua cultura, se não for assumida pelos seus recursos humanos e se não for servida por sistemas de gestão eficientes e eficazes, como sublinhou Artur Santos Silva, presidente da COTEC.

Por isso é que a actividade da COTEC tem sido tão importante, ao promover, de forma consistente, a inovação nas pequenas e médias empresas. É notável a experiência-piloto liderada por João Picoito, feita com 15 empresas, onde foi aplicado um sistema de gestão da inovação, com possibilidades de certificação, e um sistema de “scoring” (classificação) interno da inovação. A experiência será agora alargada a 650 empresas. Se correr bem, fará mais pela inovação no tecido produtivo do que todas as campanhas desenvolvidas até agora. E, no final, teremos um país bem melhor.

Nicolau Santos

fonte: Jornal Expresso